Oh my Freud!

 


Nota da autora: atenção, esse texto não tem nenhuma pretensão acadêmica, deixe seu Superego de lado e divirta-se! Mas se você discordou muito de alguma relação, fique à vontade para contribuir com a nossa “análise” 🙂

 

 

Para os amantes da Psicologia e especialmente da Psicanálise, aqui vai um post extremamente didático para estudos e afins.

Mas antes de começarmos a análise freudiana propriamente dita, a Sandra, com 3 anos, nos explica a profissão dos seus pais, antes de qualquer especialização. Misturando um pouco de doença e profissão, quando perguntam para a pequena qual o trabalho da mãe e do pai, ela costuma responder:

– Meu papai e minha mamãe são Psicólicos!
Freud dispensa grandes apresentações, certo? Ele não foi exatamente um psicólico, era médico neurologista, mas contribuiu um bocado com a Psicologia, tornando-se o pai da Psicanálise. Alguns termos freudianos chegaram a ser incorporados em nossos diálogos corriqueiros. Outros, no entanto, ficam mais restritos aos consultórios e reuniões clínicas. Mas a escuta atenta das crianças com um ouvido psicanalítico pode ser bem divertida, veja só:

 

Teorias sexuais infantis

O que dizia Freud…

“Em geral, pode-se dizer das teorias sexuais infantis que elas são reflexos da própria constituição sexual da criança, e que, apesar de seus erros grotescos, testemunham uma maior compreensão dos processos sexuais do que se pretenderia de seus criadores. As crianças também percebem as alterações provocadas na mãe pela gravidez e sabem interpretá-las corretamente; a fábula da cegonha é amiúde contada a uma platéia que a recebe com desconfiança profunda, embora quase sempre silenciosa”.

 

O que dizem as crianças…

Guile, com 3 anos e 9 meses, curtindo ver fotos antigas:

– Guile, você sabe quem está dentro da minha barriga nessa foto? – pergunta sua mãe.
– Não. – responde o pequeno.
– Você, o Guile!
– Mãe, você me comeu??

Samirah, de 5 anos, conversando com a mãe:

– Mamãe, eu sei como os bebês nascem!
– É mesmo Samirah, e como os bebês nascem?
– A mamãe faz atchim e pronto o bebê pula para fora do umbigo!

Teresa, de 4 anos e pouco, não se contentou com a primeira explicação que recebeu sobre o processo de concepção…
– Mãe, mas como é que o pai coloca o filho dentro da mãe?
A mãe, que foi pega de surpresa, ficou muda e começou a pensar qual seria a melhor resposta… Mas Teresa, impaciente, já interrompeu seu raciocínio:
– O que foi? Não lembra mais como faz???

Joaquim, com quase 5 anos, vai mais longe na reflexão:
– Mãe, eu já descobri por onde os bebês nascem!
– Sério filho? Por onde?
– Não é pela vagina, mãe.
– Então sai por onde?
– Pelo umbigo.
– Ah tá.
– Mas ainda não sei por onde entram.
(dias depois…)
– Mãe! Descobri como os bebês chegam nas barrigas das mães!
– Sério filho? Como eles chegam?
– Vocês comem sementes.

 

Complexo de Édipo

 

O que dizia Freud…

Trata-se do conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais.

 

O que dizem as crianças…

Bernardo, 3 anos, levemente fixado na mamãe:

– Mãe, um dia eu vou crescer muito e vou te namorar!
– Mas a mamãe já namora o papai, filho.
– Mas então eu vou namorar sozinho??

Ian, com 1 ano e 11 meses, descobriu os pronomes e quando o irmão ou o pai se aproximavam da mãe, falava com sotaque alemão e um Édipo lascado:

– Xai!! A mamãe é meu! O mamá é meu! É tuto meu!

Mariana, com 3 anos, organizando a vida com o irmão:
– Pedro, a mamãe é sua e o papai é meu.

Isadora, com quase 3 anos, vê papai dando um beijinho na mamãe e pergunta:

– O que vocês estão fazendo aí?
– Estou beijando minha esposa, responde o pai.
E com um bico de choro ela exclama:
– Mãe! Ele te chamou de esposa!!!

 

Complexo de castração

 

O que dizia Freud…

É o complexo centrado na fantasia de castração, que proporciona uma resposta ao enigma que a diferença anatômica dos sexos coloca para a criança.

 

O que dizem as crianças…

Lucas, de 2 anos e 5 meses, viu a mãe saindo do banho e logo perguntou:
– Mamãe, você tem piupiu?
– Não… – e antes que a mãe pudesse completar a resposta ele quis saber:
– Só tem barba?

Guilherme, de 2 anos e pouco, buscando a solução p/ angústia:

– O papai tem pipi, eu tenho pipi… (pausa)… A gente precisa comprar um pipi pra mamãe!

Ian, com 2 anos e 2 meses, saindo do banho…

– Mamãe…
– Oi.
– O Ian tem pinto.
– É, o Ian tem pinto.
– A mamãe não tem pinto.
– Não, a mamãe não tem pinto.
– A mamãe tem… tem shhh… tem shorts, né?

 

Ana Luísa, com 2 anos e 2 meses, foi além da diferenciação anatomica:

– Mamãe, você é menina?
– Eu sou, filha. E você?
– Sou menina também. E o Fancisco (irmão) e o papai são meninos.
– Isso mesmo! E o que é que os meninos têm que as meninas não têm?
– Cueca, Mamãe!

 

 

Fase Oral

O que dizia Freud…

É a primeira fase da evolução libidinal. O prazer sexual está predominantemente ligado à excitação da cavidade bucal e dos lábios que acompanha a alimentação.

 

O que dizem as crianças…

Guillermo, 3 anos e 2 meses, chegando a uma importante conclusão:

– Mamãe, a teta é a melhor parte do caminho!

Versão do Ian, de 2 anos, para a Música do Milton Nascimento:

“A Lua mamou, mamou/ Taçou no céu um tompasso/ A Lua mamou, mamou…”

A mãe não se contém e pergunta:
– Mas onde a Lua mamou, Ian?

E ele responde com cara de “óbvio”:
– No mamá da mamãe dela, ué!

Maria Júlia, de 5 anos, após uma detalhada explicação sobre seios/peitos/tórax, concluiu:
– Entendi, mãe, tórax é a região onde fica o tetê!

Felipe, de 2 para 3 anos, adora ficar no colo da mamãe trocando carinhos. Um dia, ele ganhou um abraço bem apertado e ouviu:

– Ai, filho, você é tão fofinho, que tenho vontade de te apertaaaar até sair caldinho!

E rapidamente respondeu:
– Ah, então eu vou te apertaaaar até sair leitinho!

Valentina, com 4 anos, ao ver a tia amamentando sua prima:

– Tia, você está dando de mamar para a Helena e a sua teta vai ficar como a da minha mãe, né?
-Mas como é a da sua mãe, Valentina?
– Assim, ó, deitada!

 

Fase anal


O que dizia Freud…

Trata-se da segunda fase da evolução libidinal; é caracterizada por uma organização da libido sob o primado da zona erógena anal; a relação de objeto está impregnada de significações ligadas à função de defecação e ao valor simbólico das fezes.

 

O que dizem as crianças…

O Hugo, com 5 anos, gostava de ficar um tempão sentado no vaso e lendo gibis. Um dia, sua mãe estava com pressa e perguntou:

– Já acabou, Hugo?

E ele, bastante calmo, explicou:
– Não, mamãe. Cocô nunca acaba. Amanhã tem mais.

Juju, com 3 anos, observando galinhas:
– Mamãe, galinha tem bumbum?
– Sim. – responde sua mãe.
– Pra quê?
– Huumm… pra fazer cocô ?
– Ahhhh, então, a mamãe galona deve segurar a mão da galinha quando ela vai fazer cocô, que nem você segura a minha, né?

Taian, com 3 e 8 meses, durante a refeição:
– Papai, quero fazer cocô!
– Poxa, Taian, no meio do almoço?
– Não, papai, no banheiro!

Theo, com 2 anos, tomando banho e brincando de fazer sucos:
– Mamãe! Suquinho!
A mamãe toma de mentirinha e pergunta:
– Que delicia! É suco do que filho, de laranja?
– Não, mãe, é de bunda.

Com 3 anos, o Gabriel não conseguiu chegar até o banheiro, em um momento de “aperto”, e foi explicar o ocorrido para sua mãe. Com uma cara bem séria ele falou:
– Mamãe! O cocô não me avisou, ele foi para a minha barriga e correu para a minha cueca, foi muito rápido e ele não avisou, você tira ele?

Heitor, com 2 anos e 8 meses, fazendo seu cocô matinal. O pai ouve um barulho e comenta:
– Nossa, filho, esse foi grande hein?!
E Heitor responde:
– É, pelo barulho eu digaria que foi um meteoro!!

 

Pulsões de Morte

O que dizia Freud…

Designa uma categoria fundamental de pulsões que se contrapõem às pulsões de vida e que tendem a reconduzir o ser vivo ao estado anorgânico.

 

O que dizem as crianças…

Lina, com 3 anos e brincando com um amiguinho, sem medo das coisas da vida:

– Vamos brincar de morrer? – propõe Lina
– Mas antes eu preciso trabalhar. – explica o amigo
– Mas eu vou morrer!
– Tá bom.

Joaquim, com 4 anos e muitas dúvidas:
– Por que o gato da vovó morreu?

A mãe já deu todas as explicações possíveis. Ele quer aquela que ela não sabe responder – o que é morte, o que é vida…então, resignada, ela responde:

– Não sei.

E o pequeno completa:
– Então pesquisa.

Mattias, com 3 anos e 4 meses, explicando para sua mãe:
– Sabe, mãe, que quando eu ela quiancinha eu já morri? Mas é que depois eu desmorri.

Artur, com quase 5 anos, refletindo às 7h da matina:
– Mamãe, quando a gente morre as lembranças ficam na caveira?

Erick, 2 anos e 2 meses
– Erick, qual o nome da sua avó?
– Vovó Marta!
– Muito bem! E qual o nome de seu avô?
– Vovô Morto!

 

 

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Bibliografia que ajudou na brincadeira:

FREUD, Sigmund. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. ([Drei Abhandlungen Zur Sexualtheorie (Viena, G,S., 5,3;G.W., 5,29)Trad. Inglês: Three Essays on the Theory of Sexuality (Londres, 1962; Standard Ed. 7, 125). Obras Completas de Sigmund Freud Vol.XI. Rio de Janeiro. Editora DELTA.

LAPLANCHE, J. e PONTALIS, J.B. Vocabulário de psicanálise; trad. P. Tamen. 5.ed. Lisboa: Moraes editores, 1970.

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