Medicina baseada em evidências… infantis

Quem nunca brincou de médico que atire o primeiro bisturi! Ou um esquetoscópio, diria o João, aos 3 anos.

Os estudos anatômicos começam pelo básico:

– As meninas têm xoxota e os meninos têm xuxutu! – observou a Iara com 1 ano e 11 meses.

O Joaquim com 2 anos e meio, já foi mais além:

– Eu tenho peru! – constatou animado.

– Sim, Joaquim, você tem peru. – confirmou sua mãe.

– O vovô Xalá tem peru! O vovô Zé tem peru!

– E a vovó Lygia? – perguntaram para complicar.

Após uma pausa reflexiva, surge então a resposta:

– Ah, a vovó Lygia tem peruca!!!

A Mariana, quando tinha 3 anos, também avançou nas descobertas:

– O papai tem pipi.

– É, o papai tem pipi. – confirmou sua mãe.

– O Pedro tem pipi. – disse Mariana, apontando para o irmão.

– É, o Pedro tem pipi. – confirmou mais uma vez sua mãe.

– E a Mariana tem umbigo! – finalizou a pequena.

***

 

O Theo, com 3 anos e meio, partiu para o Sistema Digestório:

– Então, depois que a gente mastiga, a comida desce e vai pro estôgamo? – quis saber durante o almoço.

Sobre o Sistema Respiratório, sua descoberta foi um pouco polêmica:

– Ah, eu já sei para que serve o bulaquinho do nariz?

– Para quê, filho?

– Para guardar as catotas!

Com quase 4 anos, ele aprofundou seus estudos em Anatomia Geral chegando até na Proctologia:

Durante um relaxamento antes de dormir, ele escutou sua mãe falar:

– Respira, solta o ar, relaxa a cabeça, o pescoço… relaxa a nuca, as costas, a barriga…

E, a cada dia, mostrou-se mais interessado por novas partes do corpo. Até que quis direcionar ele proprio o relaxamento e lançou:

– Relaxa os olhos, o maxilar… relaxa o osso, o frango…

– O frango? – quis entender sua mãe.

– Ué – mostrando sua coxa – tem o osso e tem o frango!

 

No dia seguinte, ele foi ainda mais profundo e disse:

– Relaxa o peito, abarriga… relaxa o bumbum, relaxa o furinho…

Theo precisa melhorar sua abordagem geriátrica, pois com 4 anos e meio, mexendo no pé da avó que tem Joanete e alguns calos, ele foi pouco polido e lançou:
– Ihhh, Vó, seu pé não deu certo, hein?

 

Mas mostrou sensibilidade para a pediatria humanizada quando, cuidando de um boneco, pediu para sua mãe ser a enfermeira e ainda solicitou:

 

– Enfermeira, canta uma música bem relaxosa pra acalmar o bebê, tá bom?

 

Ele também se interessou pela medicina alternativa, que quase virou possessiva:

 

– Theo, vem tomar a homeopatia! – chamou o pai.

– Não, eu não vou tomar oSEUpatia, eu vou tomar oMEUpatia… (pausa reflexiva, enquanto o pai segurava o riso)… Ô pai, o que é patia? Ébolinhas?

O Vítor, com 4 anos, já treinava a residência examinando sua mãe:

 

– E aí Dr. Vitor, é grave? – quis saber a paciente.
– Peraí, abre o subaco. Tá tudo bem, mamãe, só um pouquinho de febre.
– Aé? Quanto deu?
– 59.

 

***

O Felipe, com 10 anos, mostrou experiência com a Neurologia. Um dia, sua mãe estava com uma dorzinha de cabeça e pediu para a avó do Felipe olhar o que parecia ser um inchaço. Após um exame rápido, D. Vilma disse:

 

– Você precisa ir ao médico olhar isto.

– Sim, mas em qual médico eu vou? – perguntou a mãe.

E antes de deixar a avó responder, Felipe concluiu:

– Ao Cerebrologista, ué!?

 

E, para finalizar esse post medicalizado, felizmente existem os futuros obstetras, super humanizados, claro. Como o Flavio, com 2 anos e 2meses, que após ganhar um irmãozinho resolveu desenhar e falou:

 

– Você sabe quê qué isso, mamãe?

– Não, o que é? – perguntou sua mãe.

– É pacenta! Eu tô deseando uma pacenta!

– Hã, uma PLACENTA?

– É, era casa do imão. Uma pacenta, uma pacentona!

 

***

 

E o Gael, com 3 anos, que ainda é a favor do parto domiciliar:

 

– Mamãe, aí o neném nasceu. Eu tiei foto, óla!
– Ah, que linda a foto, filho! E como ele nasceu, me conta?
– Na casa dele. Pela pepeca. Óla, que bunitinhu…